5 Fontes e chafarizes históricos da capital

Porto Alegre já exibiu em seus espaços públicos, sofisticadas esculturas e chafarizes em ferro fundido. A maioria dessas obras foram produzidas em países da Europa, atendendo a encomendas de todo o Ocidente. Separamos 5 delas que restaram e ainda estão dispostas em praças e parques da cidade:


Chafariz Conde d'Eu


Originalmente denominado de Chafariz Conde d'Eu, em homenagem ao marido da Princesa Isabel, a “Fonte Francesa”, também conhecida por “Chafariz Imperial”, é um chafariz de ferro fundido localizado no Parque Farroupilha, principal parque público da cidade. Criado pelo escultor Carrier-Belleuse para a fundição Durenne, foi fabricado na França e importado para Porto Alegre juntamente com outros seis chafarizes em 1866, sendo postado inicialmente na antiga Praça da Alfândega. Depois transferido para a Praça XV de Novembro, em frente ao chalé da Praça Quinze. Em 1925, o chafariz seguiu para a nova Praça Pereira Parobé que foi urbanizada, ao lado do Mercado Público. Após a enchente de 1941, o chafariz foi então trasladado para o Parque Farroupilha.


O Chafariz Imperial é a última das 7 fontes francesas instaladas em Porto Alegre no século XIX. As estruturas serviam para fornecer água potável para a cidade. Com o desaparecimento sem explicação dos outros chafarizes no final do século XIX, a Fonte Francesa se tornou o único remanescente daquele período que permanece até os dias de hoje.



Chafariz do Tritão


Conhecido como “O Menino da Cornucópia” ou “O Menino Nu”, foi provavelmente produzido no final do século XIX em fundições francesas. Ficava originalmente na Praça XV de Novembro, junto a uma gruta demolida em 1925, sendo instalada no final dos anos 1930 no Parque Farroupilha.


O Chafariz do Tritão é uma escultura de um tritão menino, que sopra água de sua concha sobre bacias superpostas de ferro fundido. Na mitologia grega, Tritão é um deus, mensageiro das profundidades marinhas. Filho de Poseidon e de Anfitrite, é geralmente representado metade homem, metade peixe, soprando a concha de um caracol, com a qual acalmava as tempestades ou levantava as ondas. Porém, após atos de vandalismo, a escultura original foi guardada: o que está instalado no local é uma réplica em resina.



Os Afluentes do Guaíba


O chafariz foi instalado na Praça da Matriz, onde permaneceu até 1907, quando cedeu o local ao monumento que homenageia Júlio de Castilhos. As estátuas foram esculpidas em mármore de Carrara, tendo vindo da Itália em 1866, especialmente para adornar um dos oito chafarizes que distribuíam água potável à população de Porto Alegre. Idealizadas por José Obino, escultor italiano radicado no Brasil, representam duas ninfas e dois netunos, e compunham o Chafariz Imperador, juntamente com uma quinta figura, um jovem que representava o Guaíba.


As estátuas dos afluentes foram recolhidas a um depósito, onde permaneceram até 1936, quando passaram a adornar a Praça Dom Sebastião, localizada na avenida Independência. A nova instalação já não contava com o quinto elemento, o Guaíba, cujo destino permanece ignorado até hoje. Com as obras de recuperação da Praça Dom Sebastião, as estátuas foram levadas para a Hidráulica Moinhos de Vento, juntamente aos seus jardins, onde se encontram atualmente dispondo de maior visibilidade.



A Samaritana

A Samaritana foi realizada em 1925, pelo Artista Alfred Adloff, um dos nomes mais respeitados na estatuária local da época, e foi instalada no espelho d'água da Praça Montevidéu, em frente à Prefeitura. Ela é o retrato modelado de uma robusta camponesa, com feições germânicas. Ela seria apenas conhecida como a "Camponesa com o cântaro", mas devido a uma crônica de Leo Arruda, no Correio do Povo, ela foi chamada de "A Samaritana com Ânfora", nome que ficou.


Em 1935, o conjunto foi translado para a Praça da Alfândega. Essa mudança de endereço decorreu da imposição das circunstâncias que marcaram as comemorações do Centenário Farroupilha, com o objetivo de dar lugar à Fonte de Talavera. Em processo de deterioração, ela foi retirada em 2002 e foi substituída por uma cópia da mesma.



Fonte Talavera


Presente da colônia espanhola em 1935, por ocasião da comemoração do centenário da Revolução Farroupilha, este monumento sinaliza o marco zero da cidade de Porto Alegre. A ideia de fazer uma homenagem com um chafariz, foi do povo espanhol para Porto Alegre. A intenção era ornamentar a cidade com algo que traduzisse o espírito clássico da Espanha. Desenhada por Fernando Corona, a obra foi executada pelo mais afamado ceramista talaverano, Juan Ruiz de Luna. A fonte é recoberta de azulejos espanhóis nas cores azul-cobalto e amarelo-ocre e originalmente apresentava uma grande bacia dupla inferior em dodecágono e uma bacia redonda também dupla ao centro, redonda, sobre um pedestal com quatro golfinhos. Ali também existe um painel que traz a inscrição:


LA COLONIA ESPAÑOLA

AL GLORIOSO PUEBLO

RIOGRANDENSE

EN SU CENTENARIO

FARROUPILHA

1835 1935


Em junho de 2005, a Fonte Talavera foi vandalizada durante uma manifestação, pela imprudência de um manifestante que, ignorando a proibição de acesso ao monumento histórico, escalou e quebrou a bacia da fonte. A cuba da fonte original, quebrada, encontra-se atualmente em exposição no subsolo da Prefeitura Municipal.