As origens do Morro Santana

No passado as terras do Morro Santana eram dos índios Guaranis, que se dedicavam a pequenas lavouras de mandioca e milho. No século XVIII, as terras indígenas foram divididas em três Sesmarias que deram origem a Porto Alegre. As concessões de terras se faziam por meio de “Sesmarias” (termo que vem de uma velha instituição portuguesa, uma unidade padrão de medição) que era uma área de terra devoluta, com mais ou menos 3 léguas de comprimento por um de largura, equivalente a 13.068 hectares (ou 18 km por 6 quilômetros), que deveriam ser imediatamente ocupadas e lavradas. A fim de obter a terra no fim de um prazo de dois anos o requerente deveria provar, através de documento de autoridade, que estava ocupando as terras com lavoura ou criação, escravos, casas, benfeitorias e familiares.


Sendo assim, a área Morro Santana foi “concedida” a Jerônimo de Ornelas Menezes de Vasconcelos, português nascido na ilha da Madeira, que obteve em 1740 a legalidade de sua posse. Nesse período, Porto Alegre era chamada de Porto do Dorneles, uma referência a Jerônimo de Ornelas, dono da Sesmaria de Santana, cuja sede ficava no Morro Santana, e que era a principal das três Sesmarias. A Sesmaria de Santana foi destinada à criação de gado, e tinha uma área aproximada de 14.000 hectares.


Em 1742 o rei de Portugal, atendendo a solicitação do brigadeiro José da Silva Paes, publicou um edital autorizando a emigração de açorianos para o sul do Brasil, que de início deveriam se fixar na região de Santa Catarina. Somente um casal de açorianos decidiu seguir até o Porto do Dorneles: Francisco Antônio da Silveira, o Chico da Azenha, que recebeu um lote de terras além do Arroio Dilúvio, construindo sua casa onde mais tarde seria construído o Cinema Castelo. Francisco também construiu uma azenha (moinho movido a água) para moagem do trigo (daí a origem do nome do bairro Azenha), no local onde está o Hospital Ernesto Dorneles, plantando toda a região, até a beira do morro onde atualmente se encontram os cemitérios.


Em 1750, após a assinatura do Tratado de Madrid, ordenou-se ao governador de Santa Catarina, Manoel Escudeiro de Souza, que enviasse ao Porto do Viamão uma leva dos casais que estavam para chegar dos Açores. Em 1751 foram selecionadas 60 famílias, perfazendo um total de cerca de 300 pessoas, que chegaram ao local em janeiro de 1752, sendo encaminhadas a terras já demarcadas no Morro de Santana.


Mesmo que houvesse a melhor disposição em Ornelas para orientar e ajudar os açorianos, isso não lhe seria pedido nem estava previsto na Carta de Sesmaria. A vinda dos colonos açorianos, e sua instalação em suas terras a partir de 1752, não o agradou e forçaram-no a mudar-se do morro para a freguesia de Triunfo. Em 1760, seu filho José Raimundo Dorneles matou um agricultor e este grave incidente precipitou-lhe a decisão de vender a Sesmaria e mudar-se. A Sesmaria foi vendida a Inácio Francisco de Melo, e desapropriada, em abril de 1769, pelo governador do Rio Grande, José Marcelino de Figueiredo, para a fundação da cidade de Porto Alegre, e para pacificar a instalação dos açorianos. Já na década de 70, foi demolida a sede da chácara conhecida como Casa Branca (onde nela se reuniram os líderes Farrapos para planejar as estratégias do seu movimento de independência), para que o terreno fosse loteado e, posteriormente, fosse erguido um bloco residencial. Se o casarão fosse num lugar distante, talvez tivesse sido poupado, mas não, acabou ficando dentro da cidade, na Avenida Protásio Alves, quase esquina com a Avenida Antônio de Carvalho.


Com 311 metros de altitude, o Morro Santana é considerado o ponto mais alto de Porto Alegre e hoje é um dos poucos lugares da cidade cuja boa parte da flora e fauna estão preservadas, se tornando o maior refúgio de vida silvestre da capital. O bairro que tem o seu nome e está situado aos seus pés pertence a região leste de Porto Alegre. Vivem nessa região 110.451 pessoas. Dos chefes de domicílio, 41,3% têm renda de até 2 salários mínimos e 21,6% possuem até 3 anos de estudo. Quanto à escolaridade, 16,9% da população com 10 ou mais anos de idade são analfabetos. Os percentuais de evasão e de reprovação no Ensino Fundamental são de 9,09% na rede pública e 26,69% no ensino privado (ambos o 2º mais elevado de Porto Alegre). A soma dos critérios socioeconômicos e de educação torna a Região Leste a de maior exclusão da cidade de Porto Alegre.

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