Lendas urbanas de Porto Alegre

Lendas urbanas ou mitos urbanos, são histórias frequentemente narradas como sendo fatos ocorridos a pessoas conhecidas ou de conhecimento público. Muitas delas são, em sua origem, baseadas em fatos reais, mas geralmente acabam distorcidas ao longo do tempo. Porto Alegre pode não ser uma série de TV, mas tem um vasto repertório meio stranger things, quando o tema é lenda urbana, e muitos deles narrados em livros.


Começando pela Igreja Nossa Senhora das Dores, que se localiza na Rua dos Andradas, no Centro Histórico de Porto Alegre, sendo um monumento construído por escravos em 1813. A igreja ficava em frente ao antigo Largo da Forca, local onde eram executadas as pessoas condenadas à morte. Dizem que um escravo, executado injustamente pelo sumiço de uma das pedras que adornavam a estátua de Nossa Sra. Das Dores, rogou uma praga de que seu patrão nunca veria a obra da Igreja ser concluída. Ao longo dos anos, várias estruturas e planos arquitetônicos foram modificados, tal como o projeto das torres, fatores esses que, segundo a comunidade, devem-se à praga rogada pelo escravo Josino. A obra demorou mais de cem anos para ser concluída e a lenda da igreja amaldiçoada permanece até hoje.



Ainda no Centro Histórico de Porto Alegre, a Rua Fernando Machado, antiga Rua dos Arvoredos, foi cenário de uma série de crimes por volta de 1864. Há relatos que os acusados, José Ramos e sua companheira Catarina Palsen, atraíam vítimas ao açougue e desfaziam-se de partes dos corpos produzindo linguiças de carne humana, que eram vendidas no comércio. Essa história permanece no imaginário local, tornando-se uma lenda na cidade. Aos interessados, vale a pena ler “Canibais - Paixão e Morte na Rua do Arvoredo”, de David Coimbra.


No casarão onde hoje funciona o Museu Júlio de Castilhos, houve duas mortes trágicas ocorridas no começo do século XX, que hoje dão ao local a fama de mal-assombrado. Na época, o então governador do Estado Júlio de Castilhos se mudou para o casarão para viver com a sua mulher Honorina e seus filhos. Em 1903, no entanto, o político morreu em casa, durante uma cirurgia para remover um câncer na garganta. A mulher, inconformada com a morte do marido, se suicidou em casa três anos depois. Funcionários do local frequentemente relatam ouvir barulhos e ver vultos no local. Esse local, se tu tiveres coragem, poderemos entrar durante o Walking Tour no Centro Histórico.


Já nessa história ninguém morreu, não tem assombração nem maldição. Porém tem uma construção medieval que no seu interior se mantinha um relacionamento abusivo. Ainda assim essa história está presente entre as lendas da cidade. A história do Castelinho do Alto da Bronze, localizado no cruzamento da Rua Fernando Machado com a Rua General Vasco Alves, é a representação de “Rapunzel” na vida real. No fim dos anos 40, um homem apaixonou-se por uma mulher, 22 anos mais jovem que ele. Construiu para ela um castelo em estilo medieval e lá foram morar juntos. Muito ciumento, utilizava muitos argumento e artifícios para mantê-la enclausurada ou vigiada. Dizem que ela ficava no terceiro andar sem poder descer e nem se aproximar das janelas. Uma horrível história, longe de amor, sendo que ele a manteve presa durante quatro anos do relacionamento, até ela conseguir fugir.


As lendas urbanas de Porto Alegre não param por aí. A historiadora Sandra Pesavento (Porto Alegre, 1946 – 2009) nos deixou uma obra detalhada sobre ações tenebrosas e atos condenáveis ocorridos em uma capital primitiva, que como ela mesmo citou “uma cidade ainda pequena que sonhava em ser grande. Sonhava em ser Paris, tinha os olhos em Buenos Aires, mas os pés na beira do Guaíba.” O livro “Os Sete Pecados da Capital” (disponível para download no fim da leitura) aprofunda detalhes sobre a vida de Catarina Palsen dos crimes da rua do arvoredo, sobre a história de Neco e Chiquita, que na época até rendeu o livro “Estrychnina”, sobre o caso de Maria Francelina Trenes conhecida como a Maria degolada, entre outros.

Os Sete Pecados da Capital
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