Uma Capital verde

A arborização de vias públicas da cidade iniciou na metade do século passado. Há indícios de que os plantios se intensificaram a partir da década de 30, e hoje, estimasse a existência de mais de 1,3 milhão de árvores espalhadas por toda cidade. Dessas, 190 espécies nativas da Capital se oferecem à contemplação de quem circula pelas diferentes regiões da cidade. A mais frequente é a extremosa, mas a mais popular depois do ipê, é a tipuana.


A tipuana, com floração na primavera, exibe inflorescências em cachos pendentes, com numerosas flores alaranjadas e uma pequena mancha marrom, lembrando as flores do pau-brasil. Quando as pétalas caem, formam um tapete dourado. É uma árvore de copa ampla e densa, que no passado foi largamente utilizada na arborização urbana. Algumas cidades, como Porto Alegre, teriam uma paisagem bem diferente sem suas tão características tipuanas, ladeando ruas e parques. Em fevereiro de 1975, o universitário Carlos Alberto Dayrell subiu em uma árvore que ia ser cortada para construção do viaduto Imperatriz Dona Leopoldina, na avenida João Pessoa. Esta árvore era uma tipuana. O movimento cresceu e cerca de 500 pessoas se aglomeraram no local para evitar o corte, entre elas o ambientalista José Lutzenberger (1926-2002). A árvore não foi cortada e o episódio marcou o início do movimento ambientalista na cidade.


Quase 500 metros de calçadas onde mais de 100 árvores da espécie tipuana estão enfileiradas, se encontra a rua Gonçalo de Carvalho, conhecida como “a rua mais bonita do mundo”, em meio a um grande túnel de árvores. Os moradores mais antigos contam que as tipuanas foram plantadas na década de 1930 pelos funcionários de origem alemã que trabalhavam em uma cervejaria do bairro. Em 2005, a construção de um shopping ameaçou fazer mudanças na rua que poderiam acabar com as árvores. Foi quando os moradores se mobilizaram e conseguiram que a rua fosse decretada como Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental pelo município em 2006.



O ipê-roxo, também conhecido como ipê-rosa, e o ipê-amarelo são árvores nativas da América do Sul e têm seu nome originado do tupi, que significa árvore cascuda. As árvores denominadas ipê, são na verdade, várias espécies com características semelhantes, com flores brancas, amarelas ou roxas, florescendo de junho a setembro. Sua presença transforma a paisagem do Parque Farroupilha nesse período.



Marcando o final do período de verão, a floração intensa da extremosa colore diversas ruas da cidade até o mês de março. Facilmente notada por aqui, a extremosa pode ser encontrada em diversas ruas, como Lima e Silva, Luiz Voelcker e avenidas Guaíba e Antônio de Carvalho. Com altura média de quatro metros, esta espécie é adequada às calçadas, pois não possui raízes agressivas, o que a compatibiliza com os equipamentos urbanos. Além disso, apresenta boa resistência à poluição urbana. Algumas pessoas podem confundir a extremosa com o ipê pela coloração mas uma maneira fácil de saber de longe qual é qual, é pelo mês que se encontra, pois a época de floração dessas espécies, como vimos, é diferente.